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Um incidente na Ponte do Riacho da Coruja - An Occurrence at Owl Creek Bridge - Por Ambrose Bierce

Ambrose Gwinnett Bierce, nasceu em Ohio no dia 24 de junho de 1842 e dado como desaparecido no México em 1914, é o décimo entre 13 filhos, de um casal humilde, mas literário, que transmitiram ao filho amor pelos livros e a escrita, levando-o a iniciar sua vida profissional aos 15 anos como jornalista, num pequeno jornal em Ohio, transformando-se em editor, contista, fabulista, e satírico, foi sarcástico da natureza humana recebendo o apelido de “o amargo Bierce”.

Seu estilo literário abraça referências a ciclos temporais, descrições limitadas, eventos impossíveis e temas da guerra.

O autor, então com 19 anos, alistou-se no Exército da União, no início da Guerra Civil Americana, participou de várias batalhas com experiências aterrorizantes, que se tornaram a sua fonte para várias histórias curtas, e mais tarde escreveu um livro de memórias "O que eu vi de Shiloh". Se destacou quando, de forma ousada, abaixo de fogo intenso, resgatou um soldado gravemente ferido na batalha de Rich Mountain.

Mas, em junho de 1864 na batalha da montanha Kennesaw, sofreu um grave ferimento por uma bala que perfurou seu crânio, circundou sua cabeça e foi alojar-se no outro lado, próximo ao ouvido, que o afastou da guerra.

Em seus contos, o autor descreveu cenários sombrios com momentos e enredos de terror, razões que levou alguns de seus mais ácidos críticos literários, levantarem a hipótese de que esse grave acidente na guerra afetou sua mente. Mais recentemente, o editor da Revista Legendary Times, Senhor Giorgio Tsokaulos, representante de uma nova geração de pesquisadores do fenômeno ufologia, confundiu ainda mais a história do autor e fez a seguinte citação, "de certa forma, esse acidente revitalizou o seu cérebro conectando-o com extraterrestres".

Ao nosso entender percebe-se que o autor, Senhor Ambrose Bierce, ao assimilar os conhecimentos literários transmitidos por seus pais, foram a base  para aos 15 anos, iniciar sua vida na carreira jornalística num pequeno jornal em Ohio, desenvolvendo a perspicácia na arte de escrever. Depois como soldado, durante a guerra civil americana, tirou proveito de sua experiência na carreira jornalística,  registrando fatos e ideias, tornando-se fácil para o autor narrar atitudes do gênero humano de sua época.

Este conto foi descrito numa época onde casos de sabotagem, ou traição para com a pátria, eram sumariamente enforcados.

Um incidente na Ponte do Riacho da Coruja - "An Occurrence at Owl Creek Bridge" - Por Ambrose Bierce

A partir de uma ponte ferroviária no norte do Alabama, um homem observava o rápido fluxo de água seis metros abaixo. Suas mãos estavam atrás das costas, pulsos amarrados com uma corda; outra corda em volta do pescoço e amarrado em forma de cinta sobre sua cabeça com a ponta pendendo até os seus joelhos.

Alguma das tábuas soltas colocadas sob os dormentes dos trilhos, foi usada como um suporte a ele e seus executores, dois soldados da federal, sob o comando de um sargento, que na vida civil deve ter sido homem da lei. Não muito longe deles, no mesmo piso da ponte de madeira, era um oficial do exército com emblemas de graduação; ele era o capitão.

Em cada lado da ponte tinha um vigia com armas, o cano do rifle sobre o ombro esquerdo e culatra apoiada no antebraço transversalmente cruzados sobre o peito, a postura forçada que obriga o corpo a permanecer na posição vertical. Estes dois homens não estão interessados no que estava acontecendo na ponte. Eles apenas estavam bloqueando os acessos da ponte. Na frente de um dos vigias não havia nada; a estrada de ferro penetrava em uma floresta por algumas centenas de metros e, desaparecia na curvatura. Sem dúvida, não muito longe dali, havia uma posição de liderança.

Do outro lado, um campo aberto com uma ligeira inclinação com uma cerca de troncos verticais com aberturas para as pistolas e uma pequena janela através da qual veio a boca de um canhão de bronze com vista para a ponte. Entre a ponte e o pequeno forte testemunhavam uma companhia de infantaria, em posição de descanso, ou seja, com a coronha do rifle no chão, a arma ligeiramente inclinada para trás contra o ombro direito, com as mãos cruzadas sobre a arma.

Do lado direito dos soldados havia um tenente; com a ponta de sua espada tocando no chão, colocou a mão direita sobre a esquerda.

Os carrascos e o réu estavam no meio da ponte, ninguém se movia. A companhia de soldados estava ao fundo defronte da ponte, olhavam fixamente como vigias na frente, bem nos limites do rio que adornavam a ponte, pareciam esculturas. O capitão, com os braços entrelaçados e mudo, examinou o trabalho de seus assistentes, sem fazer qualquer gesto. Quando a morte é prenunciada, deve ser recebida com cerimônias respeitosas, mesmo para aqueles mais acostumados a ela. Segundo este mandatário, de acordo com o código militar, silêncio e imobilidade são atitudes de respeito.

O homem cuja execução era preparada aparentava cerca de trinta e cinco anos, a julgar por sua roupa de fazendeiro tratava-se de um civil. Ele possuía características elegantes: um nariz vertical, boca firme, testa larga, cabelo ondulado preto penteado para trás, vestia um casaco bem acabado e com gola bem dobrada.

Possuía bigode e barba bem aparados, e sem costeletas; seus olhos grandes e escuros aparentava um ser com gestos educados, impossível encontrar esse detalhe num homem pronto à morte. Obviamente, não era um criminoso qualquer.

O código militar liberal definia a forca para todos, sem se esquecer das pessoas decentes. Preparativos concluídos, os dois soldados saíram de cima da tábua de madeira, e posicionaram-se ao lado.

O sargento se virou para o oficial, cumprimenta-o e ficou defronte dele. O oficial, por sua vez, deu um passo atrás. Estes movimentos deixaram o acusado e o sargento em pontas opostas da mesma tábua de madeira que abrange três transversais da ponte.

O fim estava muito próximo para o civil, mas não completamente para o final.

A tábua que era mantida no seu lugar pelo peso do capitão; agora estava pelo peso do sargento. A um sinal de comando do capitão, o Sargento sairá da tábua de madeira que irá balançar, e o réu cairá entre as travessas da ponte. Considero que esta ação, devido à sua simplicidade, era a mais eficaz. Eles não cobriram o seu rosto e nem lhe vendaram os olhos. Por um momento o réu observou a sua insegura posição e vagamente observou a água correndo bem abaixo de seus pés com alguns rápidos redemoinhos.

A ponta da madeira flutuando no ar chamou sua atenção e seguiu com o olhar a sua volta. Seguia olhando e admirou a corrente da água! Nesses últimos momentos, ele fechou os olhos para levar a lembrança de sua esposa e de seus filhos. Entre a névoa, o brilho do sol resplandece na água que paira sobre o rio contra os barrancos íngremes próximos da ponte, o pequeno forte, soldados, madeira flutuante no rio, detalhes que o tinha distraído. Assim neste momento ele estava plenamente consciente de uma nova fonte de distração.

Ao deixar a memória de seus entes queridos, ele ouvia um barulho que não entendia nem podia ignorar, era um ruído metálico, como de um ferreiro que martela na bigorna. O homem ainda se perguntava o que poderia ser este ruído, se procedia de uma distância próxima ou longe; Ambas as hipóteses eram possíveis. Produzem-se em períodos regulares de tempo, tão lentamente quanto os sinos que reportam a morte. Esperava cada chamada impaciente, desconfiado, sem entender o por que. Os silêncios foram ficando mais e mais longos e enlouquecedores. Os sons não são frequentes, mas aumenta a sua força e a nitidez, que incomodam seus ouvidos. Sentia pânico em gritar... Podia ouvir o tique-taque de seu relógio.

Abriu os olhos e ouviu a água correndo sob seus pés. "Se eu pudesse desamarrar minhas mãos - pensou - poderia me soltar do nó e saltar no rio; me esquivaria das balas e nadaria até alcançar a beirada; então eu entraria na floresta e iria correr todo o caminho ate chegar a casa. Graças a Deus, ainda bem que minha família está fora das linhas; numa posição bem mais avançada".

Enquanto se sucediam esses pensamentos, aqui reproduzido, o capitão abaixou a cabeça e olhou para o sargento. Assim o sargento se posicionou em uma extremidade.

II

Peyton Farquhar, um rico fazendeiro, era uma família respeitável no Alabama. Escravagista, político, como todos os da sua época eram, naturalmente, um dos primeiros secessionistas e dedicou-se de corpo e alma, à causa dos estados do sul.

Certas condições, que não podemos revelar aqui, o impediram de se alistar no exército cujas nefastas campanhas terminaram com a queda do Corinto, e estava irritado com sua vida sem glória, desejando conhecer a vida de soldado e encontrar uma oportunidade de distinguir-se.

Ele estava convencido de que chegaria a sua vez, como a de todos chega em tempos de guerra. Enquanto isso, ele fez o que pôde.

Nenhuma ação parecia demasiado modesta para a causa do sul, nenhuma aventura é temerária o suficiente e compatível com a vida de um cidadão com alma de soldado, que, com boa vontade e sem escrúpulos apoia em grande parte este refrão pouco gentil: no amor e na guerra, todos os meios são bons.

Uma tarde, quando Farquhar e sua esposa estavam descansando em um banco rústico, próximo à entrada de sua casa, um soldado confederado parou o cavalo no portão e pediu para beber. A Senhora Farquhar só queria servir com suas alvas mãos. Enquanto ela foi buscar um copo de água, o marido se aproximou do empoeirado e avidamente perguntou sobre informações da linha de frente.

- Os Yanks estão reparando a estrada de ferro, disse o soldado, porque se preparam para avançar. Eles chegaram a Ponte da Coruja, fizeram os reparos e construíram uma paliçada no lado norte. Por ordens do comandante foram colocados cartazes em todos os lugares, o comandante decidiu que qualquer civil que for surpreendido na tentativa de sabotar as linhas ferroviárias será executado sem julgamento. Eu vi a ordem.

- A que distância está a Ponte da Coruja? – Perguntou Farquhar.

- A uns cinquenta quilômetros.

- Não tem tropas deste lado do rio?

- Uma única patrulha avançada meio quilômetro na estrada de ferro, e um vigia deste lado da ponte.

- Supondo que um homem - um cidadão amador, confunda o avanço e logra enganar o vigia - disse fazendeiro sorrindo - o que poderá ser feito?

O militar pensou e respondeu:
- Eu estive lá há um mês. O endurecimento do inverno passado acumulou uma enorme quantidade de troncos contra a estrutura desta parte da ponte. Atualmente, os troncos estão secos e iriam queimar muito facilmente.

No mesmo instante, a mulher aproximou-se com o copo de água. O soldado bebeu e agradeceu, saudou o marido e saiu com seu cavalo. Uma hora depois, à noite, passou novamente em frente da plantação a caminho do norte, de onde tinha vindo. Naquela tarde tinha ido fazer um reconhecimento. Ele era um soldado investigador do Exército Federal.

III

Quando caiu na água de cima da ponte, Peyton Farquhar perdeu a consciência, como se estivesse morto. Esta sensação veio quando ele sentiu uma pressão dolorosa na garganta, seguido por uma sensação de falta de ar.

Dores terríveis, como um relâmpago, atravessaram o seu corpo, da cabeça aos pés. Parecia que correu linhas específicas de seu sistema nervoso e batendo num ritmo rápido e avassalador. Tinha a sensação de que uma enorme corrente de fogo estava subindo a temperatura insuportavelmente. A cabeça parecia a ponto de explodir.

Estes sentimentos impediram-no de qualquer tipo de razão, só podia sentir, e isso lhe causou grande dor. Mas ele percebeu que poderia se mover, e balançou como um pêndulo de um lado para outro. Estes sentimentos o impediam de qualquer tipo de raciocínio, só podia sentir, e isso lhe causava grande dor. Mas ele percebeu que poderia se mover, ele balançou como um pêndulo de um lado para outro. Então, em um só golpe, muito forte, a luz em torno dele o rodeava até o céu.

Houve um respingo na água, um rugido apavorante em seus ouvidos e tudo se tornaram escuro e frio. Ao recuperar a consciência, ele percebeu que a corda tinha quebrado e ele havia caído no rio. Já não tinha a sensação de estrangulamento: nem a corda em seu pescoço, nem asfixiado, o que impedia entrar na água em seus pulmões. E morrer enforcado no fundo de um rio! Esta ideia lhe parecia absurda. Ele abriu os olhos no escuro e pensou ter visto uma luz acima dele,

Tão longe e tão inatingível! E afundando ainda mais, porque a luz ia desaparecendo cada vez mais, e o brilho tornava-se efêmero. Depois cresceu em intensidade e compreendeu que estava voltando à superfície, pois se sentia muito mais confortável. "Ser afogado e enforcado não é tão ruim. Mas eu não quero é que me fuzilem. Não, eles não terão que atirar em mim. Isso não seria justo."

Embora cientes do esforço, pulsos doloridos, estava tentando se livrar da corda. Concentro sua atenção nessa luta como se fosse um tranquilo espectador que podia ver as habilidades de um malabarista, sem demonstrar qualquer interesse no resultado.

Que esforço prodigioso. E que magnifica a energia sobre-humana. Ah, foi uma tentativa admirável! Bravo! A corda se rompeu: os braços foram separados e o levou à superfície. Pode discernir as mãos em ambos os lados e à luz crescente.

"Coloque o nó de volta! Coloque o nó de volta!"

Ele pensava em gritar estas palavras para suas mãos, tamanha e desumana dor que sentiu quando tirou o nó do pescoço. O pescoço o fez sofrer incrivelmente, a cabeça estava queimando; o coração que apenas batia, eclodiu imediatamente como se fosse sair pela boca. Uma angústia incompreensível o torturou e retorceu todo seu corpo. Suas mãos não lhe respondiam de imediato. Ele bateu na água com energia e movimentos rápidos de cima para baixo, e foi à tona. Sentiu emergir a cabeça.

O brilho do sol o cegou; seu peito se expandiu com fortes convulsões.

Em seguida, a dor excruciante e pulmões sugando uma lufada de ar fresco, soltou um grito como reflexo de sua respiração. Agora consciente de suas faculdades; eram sobrenaturais e sutis. A terrível perturbação sofrida por seu corpo despertou coisas nunca percebidas até agora.

Sentia os movimentos da água em seu rosto, ouvia o barulho de pequenas ondas a bater-lhe.

Olhava para a floresta e sabia o nome de cada árvore, cada folha com todos os nervos e cada inseto: gafanhotos, moscas, e aranhas cinzentas que teciam de galho em galho.
Contemplou as cores do prisma em cada uma das gotas de orvalho em mais de um milhão de lâminas de grama.

O zumbido das abelhas que voavam em redemoinhos, o bater das asas das borboletas, os passos das aranhas aquáticas, como remos de um barco, tudo para ele era uma música totalmente perceptível. Um peixe saltou diante de seus olhos e ouviu o deslizar de seu próprio corpo atravessando o riacho.

Chegou à superfície com o rosto a favor da corrente. O mundo visível começou a girar lentamente. Então viu a ponte, a fortificação, os vigias, o capitão, os dois soldados, seus executores, cujas figuras foram distinguidas contra o céu azul. Eles gesticulavam e gritavam, o oficial apontou a arma, mas não disparou; os outros não tinham armas. Seus movimentos e silhuetas à primeira vista eram grandes e terríveis. De repente, ouviu um estrondo e um objeto sacudiu fortemente a água, bem próximo de sua cabeça, salpicando seu rosto. Ele ouviu um segundo estampido e notou que um dos vigias tinha o fuzil em seu ombro; ainda viu sair uma nuvem azul da boca do canhão.

Dentro da água observava como os soldados lhe apontavam as armas e olhavam pela mira dos rifles. Ao olhar para os olhos do vigia, ele percebeu a cor acinzentada e recordou haver lido que todos famosos atiradores tinham os olhos dessa cor; no entanto, o vigia errou o tiro. Um rodamoinho o girou na direção oposta; novamente ficou de frente com a mata que cobria a margem oposta do pequeno forte.

Ele ouviu uma voz clara bem atrás de si; num ritmo monótono, de extrema clareza anulando qualquer outro som, até bater nas ondas dos seus ouvidos. Apesar de não ser um soldado, sabia muito bem o que significava aquele jargão: o funcionário cumpria as suas tarefas matinais. Com que frieza, com a voz pausada aos soldados impunha ordem, certeza nos intervalos de tempo, se escutavam estas cruéis palavras:

- Atenção, companhia...! Armas ao ombro...! Prontos...! Mirar...! Fogo...!

Farquhar poderia mergulhar tão fundo quanto necessário. A água ressonava em seus ouvidos como a voz do Niágara. No entanto, ele ouviu a descarga de tiros e, como emergiu à superfície, encontrou pedaços de metal brilhante afundando lentamente. Alguns lhe bateram no rosto e nas mãos, e continuaram a afundar.

Um deles parou entre o pescoço e sua camisa, Farquhar o tirou com a energia. Ele foi para a superfície, sem fôlego, depois de passar um longo tempo debaixo de água. Sua salvação foi a corrente lhe ter arrastado um pouco mais longe de onde caiu.

Enquanto isso, soldados recarregaram suas armas, dispararam uma e outra vez, mas perderam os tiros.

O perseguido viu tudo isso por cima do ombro. Nadou intensamente a favor da corrente. Seu corpo inteiro estava ativo, incluindo a cabeça, que pensava tudo muito rapidamente. "O tenente não pensava cometer um segundo erro. Este foi o erro do oficial apegado à disciplina.

Parece mais fácil escapar de uma salva como se fosse um único tiro.

Agora ele deu a ordem para dispararem à vontade. Que Deus me proteja, não posso evitar a todos!"

Ouviu-se um “estrondo” a dois passos dele seguido por um alto som que se propagava no ar e ia diminuindo, uma explosão que agitou o rio para suas profundezas!

Levantou-se uma onda que passou por ele, o encobriu e o cegou; o canhão juntou-se com as outras armas!

Ele sacudiu-se, nadou energicamente, ouviu balas que passaram zunindo na frente dele rasgando os ramos das árvores da floresta nas proximidades.

"Não comece de novo, pensou. Devo olhar para a artilharia, a fumaça vai me guiar. A detonação chegou demasiado tarde, mas se arrastrou atrás do projetil. Essa é uma boa arma."

Imediatamente ele começou a girar e girar no mesmo local: girando como um pião. Água, os bancos, a floresta, a ponte, o pequeno forte e homens agora distantes, todos se misturaram e percebiam-se apenas cores, tudo que se viu foram bandeiras coloridas.

Enroscado num redemoinho, girava tão rapidamente que sentia vertigens e náuseas. Momentos depois ele foi atirado no cascalho, do lado esquerdo do rio, escondido de seus inimigos.

Em contato com o cascalho, imóvel, chorou de alegria. Penetrou seus dedos e a jogou areia sobre si mesmo, e se abençoou em voz alta. Pareciam diamantes, rubis, esmeraldas; era a coisa mais bonita que podia imaginar.

As árvores na margem eram gigantescas; ele observou aquele jardim com um arranjo definido e inalou o aroma de suas flores.

A luz brilhava entre os troncos de uma forma estranha e o vento cantava em suas folhas com música harmoniosa desempenhada por uma harpa eólica.

Ele não queria correr mais, e só tinha que permanecer nesse local perfeito até ser capturado.

O estrepitoso chacoalhar das folhas das árvores o acordou do seu sono.

Um dos atiradores, decepcionado, atirou aleatoriamente. Ele deu um pulo, levantou-se e foi rapidamente para a encosta do rio e embrenhou-se na floresta.

Ele andou o dia todo, guiado pelo sol.

A floresta parecia interminável; não havia uma clareira, nem mesmo encontrou qualquer lenhador.

Ignorava que vivia em uma região tão selvagem, sentiu algo de sobrenatural neste pensamento.

Ao anoitecer, fatigado e faminto, continuou caminhando.

Continuava vivo, conectado pensando em sua esposa e filhos que o animava.

Por fim, ele encontrou uma estrada que o levou no que ele sabia ser o caminho certo.

Era larga e reta como uma rua da cidade.

No entanto, parecia ser bem conhecida.
Não havia casas e nada como vizinhança, nem mesmo um cachorro latindo indicando alguém nas proximidades.

Os troncos das árvores formavam uma parede reta de ambos os lados, terminando em um ponto no horizonte, como um diagrama em perspectiva.

Ele olhou para cima através de uma abertura na floresta, e viu enormes estrelas douradas, desconhecia aquelas formas de estranhas constelações.

Para ele, elas escondiam algo tenebroso.

Ele entendeu que havia uma linguagem secreta e maligna.

Sentiu fortes dores no pescoço, passou a mão e o percebeu terrivelmente inchado.

Tinha um círculo de preto onde à corda o pegou.

Sua língua estava inchada, com sede; aliviava a febre empurrando-a para frente de entre os dentes para a entrada de ar frio.

A grama havia coberto toda aquela estrada. Já não podia sentir o chão da estrada abaixo de seus pés.

Ele está em frente aos portões de sua casa.

Deixando de lado o seu sofrimento, certamente ele caiu no sono durante a caminhada, porque contempla uma nova cena; talvez tenha saído de uma crise delirante.

Tudo está como ele deixou tudo exala beleza no sol da manhã.
Deve ter andado sem parar durante a noite toda.

Ele abriu o portão e caminhou por aquele caminho branco, observou algumas peças de vestuário ligeiramente a flutuar;
a esposa com o olhar suave e doce da manhã, ela corre ao seu encontro descendo da varanda, ao pé da escada com um sorriso de inexprimível alegria, em atitude de graça e dignidade incomparável.

Ah, como ela é linda!

Ele salta para frente com os braços estendidos suplicando por um abraço.

No momento que ele está prestes a abraçar-lhe sente um golpe contundente e atordoante sobre a parte de trás do pescoço; sente uma luz ofuscante de chamas brancas, acompanhada de um estrondo como de um canhão - então tudo é absoluta escuridão e silêncio!

(clique em qualquer foto para vê-las em forma de SLIDE)
Peyton Farquhar estava morto; seu corpo, com o pescoço quebrado, balançou suavemente de um lado para o outro abaixo das vigas da ponte Owl Creek.

Ou se preferir, também poderá assistir ao vídeo - produção CBS/1964
An Occurrence at Owl Creek Bridge - by Ambrose Bierce

Nossa Luciana Costa recorda a todos com um interessante e esclarecedor comentário:

A morte (desencarnação) é um processo natural da vida e deveria ser compreendida por todos. Por não o ser constitui fenômeno de mistério e terror para muitos, alargando o imaginário em seu entorno.



Nossos pensamentos criam as experiências que vivemos. Neste enredo o personagem Farquhar, diante de sua cruel desencarnação, criou para si a realidade psíquica que vivenciou após ser executado. Sentia os efeitos do enforcamento em seu corpo fluídico, efeitos estes que não o fizeram emergir das formas-pensamento que criara em torno da sua desencarnação. Para Farquhar sua execução não ocorrera, havia escapado por um milagre, exatamente como imaginara, detalhado pelo autor Ambrose Bierce.



Por vezes os amigos astrais permitem que o espírito desencarnado vivencie, por um curto período de tempo, as formas-pensamento que cria a fim de facilitar-lhe a compreensão da realidade espiritual. Porquanto, há muitos espíritos que vivem sob o influxo de suas formas-pensamento e não percebem que a realidade está além da sua imaginação, permanecendo presos na atmosfera fluídica da Terra e dificultando a aproximação dos amigos astrais.

Quantos desencarnados vivem e revivem suas desencarnações ou seus desejos num quase interminável ciclo vicioso. Criam com a força do pensamento os personagens e os cenários psíquicos que vislumbram. Não percebem nada além do seu próprio campo áurico.

Muitos espíritos encarnados dividem o espaço físico com espíritos que não os veem e não os sentem, imersos que estão em seus pensamentos e sentimentos à despeito da realidade espiritual.

Quando são encaminhados, para suas respectivas dimensões psíquicas, pelos amigos astrais, demoram algum tempo para enxergar a realidade que os cerca.
Nossos pensamentos criam e transformam positiva ou negativamente tudo a nossa volta. Somos o que pensamos.


Luciana Costa é autora dos Livros Cenários Psíquicos, volumes 1 (esgotado) e 2.

Seus livros Cenários Psíquicos revelam a ação dos bons e dos maus pensamentos, das energias que registramos em nosso corpo fluídico, em nosso subconsciente.

Revelam também o intercâmbio entre encarnados e desencarnados, demonstrando que tudo depende do bom ou do mau uso que fazemos de nossas ferramentas espirituais.

A linguagem do espírito é a do pensamento. É por meio dele que atraímos as boas e as más vibrações, os bons e os temporariamente maus espíritos.

Dizemos "temporariamente" porque ninguém permanece no erro, vibrando o mal eternamente.
O nosso pensamento é o fio condutor que nos liga às correntes positivas e às negativas. Aprendamos a pensar para atrair o bem.

A médium Senhora Luciana Costa acrescenta que estas obras foram construídas com a ajuda espiritual de muitos amigos astrais, espíritos do astral superior e intermediários a seu serviço, como Amílcar Lopes Cabral, Augusto Messias de Burgos, Mahatma Gandhi, Custódio José Duarte e Antônio Pinheiro Guedes, e outros espíritos de elevação, que trabalham em harmonia para o esclarecimento espiritual da humanidade, todos seus irmãos em essência.

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Os interessados poderão contatar diretamente a autora, Senhora Luciana Costa, através:
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An Occurrence at Owl Creek Bridge by Ambrose Bierce
Um incidente na Ponte do Riacho da Coruja
Versão ao português: Por Wilson Candeias


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