O senhor Mário da Luz tinha ido para a América, como
marinheiro de navio baleiero, em 1916. Depois de aí estar algum tempo, mandou
chamar a sua mulher, denominada, Maria Chalina, para o fazer companhia. Ambos
tinham vontade de ter filhos, mas Deus não os contemplou com esse desejo.
Senhor Mário veio a perder a mulher, que morreu de
ataque cardíaco, nos “states”. Desgostoso e já de avançada idade, resolveu retornar
à terra natal – ilha de São Nicolau.
Tinha adquirido por compra, muitas propriedades:
alguns terrenos de plantio e alguns animais, portanto estava bem trabalhado e tinha
dinheiro no Banco. Eis que quando fez noventa e tantos anos, adoeceu e foi para a
cama muito mal. O que lhe salvou foi uma criada a quem se chamava Margarida,
adiante conhecida por Guida, que era boa pessoa e em quem ele depositava toda a
confiança; Guida é que tinha todas as chaves da casa.
Senhor Mário gostava muito dela, pois era educada,
muito inteligente e não tocava no que não era dela.
Senhor Mário tinha-lhe confiado até a chave do baú,
onde tinha dinheiro e objetos de ouro.
